Introdução
No cenário atual do Brasil, a publicidade de bets está sob forte escrutínio, especialmente após a repercussão durante a Copa do Mundo de 2026. O professor José Francisco Cimino Manssur, em seu artigo, destaca que a questão não é a ausência de regulação, mas sim a eficácia da aplicação das leis existentes. A discussão em torno desse tema é essencial para compreender os desafios enfrentados pelo setor e as mudanças impostas pelas novas portarias federais.
Contexto Histórico e Regulação Anterior
Antes da Copa de 2026, o mercado de apostas no Brasil já possuía um conjunto de diretrizes focadas no conceito de Jogo Responsável. As regras antigas visavam prevenir anúncios enganosos e promessas de ganho fácil, além de proteger menores de idade. No entanto, essas normas enfrentavam desafios na sua aplicação prática, com muitos participantes do mercado publicitário desrespeitando essas diretrizes. Este cenário criou a necessidade de reforçar as estratégias de fiscalização.
Portarias de 2026: Ampliação da Responsabilidade
As novas portarias de 2026, como a Portaria 1.964/2026, estabelecem normas mais rigorosas para a publicidade de apostas. Uma das principais mudanças é a padronização dos avisos de risco, exigindo que ocupem ao menos 10% do espaço do anúncio. Além disso, a Portaria Interministerial 73/2026 amplia a responsabilidade para plataformas digitais e redes sociais, impedindo a exposição de menores a conteúdos publicitários de apostas. Essa abordagem não só facilita a fiscalização, mas também descentraliza a responsabilidade, tornando todos os agentes envolvidos mais responsáveis pelo que é veiculado.
Desafios na Implementação e Fiscalização
Apesar da existência de regulações, a implementação eficaz continua a ser um grande desafio. Manssur argumenta que as dificuldades não residem na criação de novas leis, mas na eficácia da aplicação das já existentes. As novas portarias tentam corrigir essas falhas ao responsabilizar diretamente diversas plataformas e autoridades pelo cumprimento das regras, mas a questão permanece complexa devido à natureza do conteúdo digital e à variedade de formas através das quais as mensagens publicitárias podem ser disseminadas.
Comparativo com o Setor de Bebidas Alcoólicas
O artigo de Manssur levanta uma interessante comparação com o setor de bebidas alcoólicas, destacando o tratamento desigual dado pelo Estado. Durante a Copa de 2026, a publicidade de bebidas alcoólicas não foi submetida a novas fiscalizações, apesar de estatísticas alarmantes relacionadas a mortes e doenças decorrentes do consumo. Este contraste destaca a necessidade de uma abordagem uniforme na regulamentação de setores que impactam a saúde pública, sugerindo que o foco do governo também deveria se estender a outras áreas igualmente impactantes.
Conclusão
A análise de José Manssur sobre a publicidade de bets no Brasil expõe a complexidade e os desafios dentro do setor. A tentativa de uma implementação mais eficaz das normas existentes é um passo crucial para avançar na proteção do consumidor e no jogo responsável. No entanto, permanece evidente a necessidade de uma abordagem mais coesa e vigorosa para garantir que todos os setores com impacto social significativo sejam regulados de forma justa e eficaz.

