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Proibição Não Elimina Jogo Ilegal, Alerta IBJR

Impactos da Proibição no Marco Regulatório

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), juntamente com seus associados, manifestou preocupação sobre a possibilidade de uma proibição total das apostas de quota fixa no Brasil. Tal medida seria uma ruptura significativa com o marco regulatório que foi pacientemente construído pelo Estado brasileiro nos últimos anos. Desde janeiro de 2025, essa indústria tem operado sob um quadro de autorização, fiscalização e regras claras estabelecidas pelo governo. Operadores do setor fizeram investimentos significativos para se alinhar às exigências regulatórias, incluindo contratação de pessoal, desenvolvimento de sistemas e pagamento de outorgas. Essa infraestrutura não apenas garante o cumprimento das normas, mas também fortalece o impacto econômico no país. Portanto, encerrar o mercado repentinamente colocaria em risco esses avanços, bem como geraria incertezas econômicas e jurídicas para investidores e operadores já estabelecidos.

Proibição Não Elimina o Jogo Ilegal

Um dos principais argumentos do IBJR contra a proibição é que ela não resolveria o problema do jogo ilegal. Estudos da LCA Consultores indicam que uma parte significativa do mercado de apostas online já opera em plataformas clandestinas. Isso significa que uma proibição completa apenas aumentaria o volume de atividades ilegais, pois a demanda por apostas não desaparece. Pelo contrário, ela simplesmente se transfere para operadores que não estão sujeitos às rigorosas regulamentações e controles do mercado legal. Além disso, a medida extinguiria o acesso dos consumidores a mecanismos de proteção e segurança oferecidos no ambiente regulado, como limites de aposta, autoexclusão e controle sobre comportamentos de risco. Assim, o Estado não só perderia o controle sobre o monitoramento e fiscalização das apostas, mas também sobre as transações financeiras envolvidas, possibilitando a prática de atividades ilícitas sem o devido acompanhamento.

Efeitos Econômicos e Fiscais da Proibição

Do ponto de vista econômico, a proibição total apresenta riscos significativos para a arrecadação fiscal. Projeções da LCA indicam perdas de arrecadação entre R$ 58 bilhões e R$ 73 bilhões de 2027 a 2030, caso a demanda migre para operadores ilegais. Este cenário é agravado pela destinação legal de parte dessa arrecadação para áreas essenciais como a segurança pública, a educação e o esporte. A interrupção dessas receitas comprometeria investimentos e o cumprimento de contratos e compromissos financeiros por parte das empresas que já pagaram outorgas consideráveis para operar no setor. Além disso, geraria impactos diretos sobre empregos, patrocínios e outras atividades econômicas interligadas. A mudança abrupta também afronta a segurança jurídica, potencializando o risco de litígios contra o governo por violação de compromissos assumidos com os operadores do setor.

Regulamentação e Fiscalização Como Caminho

Frente aos desafios elencados, o IBJR defende que a solução mais eficaz reside no fortalecimento da regulamentação e fiscalização contínua, e não na proibição. Isso implica aprimorar os instrumentos de controle já existentes, ao mesmo tempo em que são implementadas políticas robustas de Jogo Responsável para proteger consumidores e criar um mercado mais sustentável. O combate ao mercado clandestino deve ser intensificado por meio de ações coordenadas que garantam a aplicação da lei e dissuadam a operação de plataformas ilegais. Essa abordagem permitiria ao Estado não apenas manter o controle efetivo das atividades de apostas, mas também assegurar que os operadores estejam cumprindo suas obrigações em conformidade com as normas estabelecidas. Assim, preserva-se um ambiente regulado no qual todos os atores envolvidos são beneficiados por um sistema justo e equitativo.

Conclusão

A discussão sobre a proibição das apostas de quota fixa no Brasil levanta questões complexas, ligadas tanto à eficácia das políticas públicas quanto ao impacto econômico. O posicionamento do IBJR acentua a necessidade de uma análise cuidadosa, que leve em conta os avanços significativos possibilitados pelo marco regulatório e as potenciais consequências de uma proibição total. Fortalecer a regulamentação, aumentar a fiscalização e combater o mercado ilegal emergem como vias mais promissoras para lidar com os desafios deste setor vibrante e em evolução constante.

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